Rainer Ganahl
Manhattan Marxism / Wool Works / Exploitation
Strange Teaching / Wool Works / Exploitation
Apr 13 - May 14, 2017
Opening Apr 12, 10pm

 

A project by Raphael Linsi and Pedro Wirz
WWW by Alex Kern

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André Sousa

André Sousa

Cópias da Noite

Nov 6 - Jan 4

Opening Nov 5, 6-10pm 

PT

Dia 1

Clima: brisa maritima, algumas nuvens 

O trafego adventura-se no cruzamento.

Pessoas e nuvens movem-se sem quebrar o silêncio.

A atmosfera é calma.

Um aroma a café mistura-se com o odor amargo do fumo de cigarros.

Um homem (calças pretas, camisa branca) senta-se em uma das cadeiras (vermelha) da esplanada. Uma mulher (sapatilhas brancas, camisola macia) está ao lado dele.

Um Smart estaciona na Rua da Boavista (que se estende desde a parte alta da cidade até ao oceano Atlântico). Duas mulheres baixas atravessam a rua em frente ao carro.

O 202 dirige-se para a Foz.

Três jovens correm pela Rua Barão Forrester e entram na Rua de Cedofeita (que corre atė ao centro).

Joseph J. Forrester foi o autor de "Essay on Portugal and its Capabilities" (1859).

Um BWM desportivo (cor de prata) vira para a Rua da Boavista.

Um Renault Kangoo entrega encomendas à Ourivesaria £ibra.

Um Alfa Romeo e um motociclo KLM param no semáforo da Rua da Boavista.

O 502 desce a rua até Leça da Palmeira.

Um Renault Mégane pára na Rua Barão Forrester.

Um homem velho entra na pastelaria Universal.

Um homem com uma câmera (no peito) caminha pela Rua Boavista. Um saco plástico verde colocado dentro de um saco de FNAC baloiça-se na sua mão.

Como em Saint-Sulpice, a maioria das pessoas traz, pelo menos uma mão, ocupada: elas seguram um saco, uma pasta, um guarda-chuva, uma trela com um cão, uma mão de criança.

Uma mulher jovem passeia de bicicleta pela calçada da Rua da Boavista. Duas mulheres mais velhas e um homem com um carrinho de mão, acompanham-na.

Um homem novo (figura alta) fala para um iPhone.

Uma mulher bem-vestida (sobretudo azul) acena a um táxi.

(T-shirts de riscas, calças amarelas, sapatos castanhos e brancos, carteira com franjas, casaco de cera, batom vermelho, cabelos castanhos encaracolados, pulseira lilàs saltam ao olho)

Para além das vitrines de lojas no piso térreo, a maioria das janelas são cobertas por cortinas ou persianas.

<som de uma sirene>

Um homem (calça preta, camisa castanho amarelada pálida) entra na cafeteria.

Hilary fala sobre o debate presidencial na televisão (ecran plano).

Tempo: 15:23h

Corro para o balcão.

Há um novo espaço de exposições proximo.

 

Dia 2

Clima: brisa marítima, pequenos aguaceiros 

No segundo andar do prédio que sita no lado nordeste do cruzamento, um rapaz (t-shirt tons de rosa, calças pretas) abre as duas janelas de canto da parede de canto em vidro. Outro (figura cinzenta, em um mini-escadote) abre buracos no teto. 

Através da abertura, vejo as ruas que cruzei enquadradas num panorama empoeirado. 

O 502 desce a rua até Leça da Palmeira.

Duas senhoras sentam-se na esplanada do café Doce-Rio.

Uma senhora de idade fecha as cortinas; uma grua; a pastelaria Universal; um Volkswagen Golf.

As cores pálidas que cobrem os edifícios envolventes e o cinzento dos pavimentos exteriores fecham a sala onde estou.

O barulho da broca expande e imersa todos os sons ambientais da cidade: motores; vozes; uma corrida de cães; o tilintar de moedas; o farfalhar de sacos e de ar-condicionados.

A virtude das paredes de canto em vidro está nas grandes vistas, continuidade espacial, acesso a luz natural, ao sentido do tempo, do clima, de orientação que oferecem; mas também na oportunidade de impressionar transeuntes curiosos com a profundidade e revelação de espaços interiores e muitas vezes privados.

Hora: 16:50

“Não há necessidade de luz artificial. Estou satisfeito com a lâmpada da luz do dia e todas aquelas da noite, para este trabalho”, diz o rapaz (t-shirt tons de rosa, calças pretas) enquanto pendura fios no lugar onde antes abriram, ele e o outro, buracos.

Os fios que o rapaz pendura começam a alinhar-se com uma precisão tão geométrica que a sala fica, virtualmente, cortada em duas partes triangulares iguais.

À p  r  i  m  e  i  r  a   l  i  n  h  a   d  e   f  i  o  s, o rapaz (t-shirt tons de rosa, calças pretas) acrescenta profundidade: 

uma l  i  n  h  a   d  e   f  i  o  s; outra 

l  i  n  h  a   d  e   f  i  o  s; e ainda outra 

 l  i  n  h  a   d  e   f  i  o  s. Ele constrói uma grelha.

Nas linhas , o rapaz (t-shirt tons de rosa, calças pretas) pendura uma peça de madeira; panos de couro falsos; pequenos artefactos; um ecran quebrado (nível dos olhos). 

Esqueci-me de manter o controlo do tempo.

O rapaz (t-shirt tons de rosa, calças pretas) sai. 

Diante do panorama empoeirado (parede de canto em vidro), ele deixou outra paisagem: uma espécie de teatro de marionetas habitado por figuras-sombra movidas pelo vento: Cópias da noite.

 

Dia 3

Clima: vento norte, céu escuro

Diante da Cópias, o rapaz (t-shirt tons de rosa, calças pretas) pôs uma espécie de portão ou de barreira de proteção construida com cordas de plástico. 

Pessoas tiram fotografias.

 

–Joana Rafael

 

 

EN

Day 1

Weather: sea breeze, clouds

Traffic braves the crossroad. 

People and clouds move without shattering the silence. 

The atmosphere is quiet.

The scent of freshly brewed coffee blends with the bitter smoke of cigarettes. 

A man (black trousers, white shirt) sits on a red wireframe chair. A woman (white sneakers, fluffy sweater) stands next to him outside a shop.

A Smart parks in Rua Boavista (that stretches from the upper town to the Atlantic Ocean). Two short women cross the street in front of the car. 

Bus 202 heads down the street to Foz. 

Three young women rush down Rua Baron Forrester Street and turn into Rua Cedofeita. Rua Cedofeita leads towards the city centre. 

Joseph J. Forrester was the author of  “Essay on Portugal and its Capabilities” (1859). 

A silver colored sports BWM turns onto Rua Boavista.

A Renault Kangoo delivers parcels to Ourivesaria £ibra.

An Alfa Romeo and a KLM motorbike stop at the traffic light.

Bus 502 heads down the street to Leça da Palmeira. 

A Renault Mégane stops next to a couple on Baron Forrester´s crosswalk.

An old man enters Universal pastry.

A man with a camera (laying on his chest) walks down Rua Boavista. A green plastic bag placed inside a FNAC bag in his hand.

As in Saint-Sulpice, most people are using at least one hand here: they’re holding a bag, a briefcase, an umbrella, a leash with a dog, a child´s hand.

A Lady on a bicycle rides down the sidewalk of Rua Boavista. Two women and a man with a trolley follow up.

A Young man (tall figure) speaks on an iPhone.

A well-dressed woman (blue overcoat) flags down a taxi. 

(Striped t-shirt, yellow trousers, brown shoes, fringed wallet, wax coat, red lipstick, curly brown hair, lila bracelet strikes the eye)

Apart from the shops on the ground floor, most windows are covered by blinds or shutters.

<sound of a siren>

A man (black trousers, pale yellowish-brown shirt) enters the coffee shop.

Hilary talks about the preceding presidential debate on TV (flat screen). 

Time: 15:23h 

I rush to the counter. 

There is a new exhibition space nearby.

 

Day 2

Weather: sea breeze, light rain

On the second floor of the building, at the northeast side of the crossroad, a young man (pinkish t-shirt, black trousers) opens the corner windows of a glass front. Another man (grey figure, standing on a mini-ladder) drills holes into the ceiling. 

Through the glass front I can see the streets that I have just crossed. The panorama view is now edged by the aluminium window frames. 

Bus 502 heads down the street to Leça da Palmeira.

Two ladies sit on Doce-Rio`s terrace.

An old lady is pulling down window shutters; a crane; the universal pastry; a Volkswagen Golf.

The flat colours of the opposing buildings and the opal light reflecting on the asphalt envelop the exhibition space.

The sound of drilling expands and coalesces with all other ambient sounds of the city: engines; voices; a running dog; the tinkling of coins; the rustling of bags; the buzzing of air-conditioners.

The virtue of glass corner walls can be found in the great sights, in the spatial continuity, the natural light, the sense of time, the sense of climate and the sense of orientation glass corners offer; but also in the opportunity to impress on-lookers with the depth and revelation of an interior and private space. 

Time: 16:50 

 “There’s no need for artificial light. I feel satisfied with the light of the day and the one of night for this piece”, the young man (pinkish t-shirt, black trousers) says while attaching strings to the ceiling where holes have been previously drilled by someone else. 

The strings start to align with such a geometric precision that the room is cut into two equal triangular parts. 

To the f  i  r  s  t  l  i  n  e   o  f   s  t  r  i  n  g  s, the young man (pinkish t-shirt, black trousers) adds depth: 

a l  i  n  e   o  f   s  t  r  i   n  g  s; another

 l  i  n  e   o  f   s  t  r  i  n  g  s; and yet another 

 l  i  n  e   o  f   s  t  r  i  n  g  s.  He builds a grid.

Now the young man (pinkish t-shirt, black trousers) attaches objects to the strings. A piece of wood; fake leather clothes; a handmade grillage; little artifacts; and a broken screen (eye level). (again I would use just normal comas)

I forgot to keep track of time.

The young man (pinkish t-shirt, black trousers) leaves.

Behind the dim view on the crossroad (glass corner wall) he left another landscape: a kind of stage; a puppet theatre inhabited by the shadow figures moved by the wind; Copies of the Night.

 

Day 3

Weather: northern wind, dark sky

In front of the Copies, the young man (pinkish t-shirt, black trousers) has placed a kind of fence or protection barrier made of plastic rope.

People take pictures.

 

–Joana Rafael